08/2009

    Guascor receberá R$ 15 milhões de sub-rogação até 2013 (Agência Canal Energia)

    Empresa investe na eficientização de equipamentos e modernização de usinas. Grupo está pleiteando benefício para usina de Óbidos, no Pará

    A Guascor do Brasil contabiliza mais de R$ 15 milhões de sub-rogação da Conta de Combustíveis Fósseis. O montante, que começou a ser recebido em meados de 2008, entrará no caixa da empresa até 2013. Segundo o gerente de Operação e Manutenção da companhia, Helder Costa de Sousa, foram investidos R$ 14 milhões no Pará entre 2007 e 2008 visando a compra de equipamentos e modernização de usinas, como a UTE Breves, que recebeu 10 geradores e opera com 8,5 MW de capacidade instalada. A usina, inaugurada em 1998, possuía oito geradores que foram realocados em outras usinas. Atualmente, o empreendimento é o maior e mais moderno da companhia.

    A UTE Breves atende cerca de 8,65 mil unidades consumidoras, que correspondem a quase 50 mil habitantes. Em agosto, a usina atingiu demanda histórica de 5,7 MW. Entre os recursos da unidade, a operação tem a ajuda de um software que facilita o controle dos geradores, possibilitando o monitoramento de fatores como temperatura, pressão e combustível dos equipamentos. Sousa explica, no entanto, que a principal razão para a usina ser eficiente e ter direito à sub-rogação se deve à tecnologia dos equipamentos e a sua eficientização.

    A tecnologia atual permite menor impacto em relação aos modelos mais antigos, de acordo com o diretor de Operações da Guascor do Brasil, Fernando Antonio Castro de Pinho. Ele explicou que os equipamentos reduzem a emissão de gás carbônico para a atmosfera durante o processo de queima do combustível. Pinho destaca como características desses equipamentos a filtragem da dispersão do gás e, internamente, a tecnologia permite uma queima mais perfeita possível do combustível, para evitar emissão de CO2 para a atmosfera.

    Sousa calcula que a tecnologia utilizada pela Guascor reduz o consumo específico do óleo combustível de 350 gramas por KW produzido para 277 gramas/kW produzido. “Essa diferença significa a quantidade de gás carbônico deixada de ser lançada na atmosfera”, disse Pinho. Em usinas mais modernas como Breves (8,5 MW) e Buritis (RO, 11 MW) a economia chega a cerca de 4,1 toneladas de CO2 em uma planta durante o processo de combustão interna dos motores.

    Além da UTE Breves, foram beneficiadas com o benefício as usinas de Buritis (11 MW) e Oriximiná (PA, 6,7 MW). Em fevereiro, a Agência Nacional de Energia Elétrica aprovou o enquadramento da Guascor na sub-rogação da CCC em projeto de eficientização da UTE Buritis, que reduziu consumo específico médio de 300 litros de combustível por MWh para 270 litros/MWh. O benefício foi da ordem de R$ 8,4 milhões.

    Sousa contou que a Guascor também está pleiteando junto à Aneel a sub-rogação da UTE Óbidos (PA, 5,11 MW). O principal fator para que a usina conquiste o benefício, segundo o gerente de O&M, é a eficientização eletrônica dos motores geradores. Outra medida adotada nas usinas da Guascor, foi a utilização do óleo diesel B4, que contém 4% de óleo vegetal para cada litro de diesel. A ação acata lei do governo que obriga esse adicional no combustível desde julho deste ano.

    CCC – A possível redefinição no encargo da CCC, conforme previsto pela MP 466, não é vista como uma ameaça para o mercado da Guascor. Segundo Pinho, o principal objetivo da proposta é não incentivar o uso do combustível fóssil em regiões com possibilidades mais limpas de geração. Entretanto, ele ressaltou que existem localidades em que somente o tipo de geração a diesel é viável para o atendimento da população. Nesses casos, o diretor da Guascor, avalia que o estímulo do governo é necessário para incentivar a geração para regiões mais afastadas.

    Pinho exemplifica o problema do sistema isolado, dizendo que, para interligar o arquipélago de Marajó necessitaria de muitos quilômetros de linhas passando pelas águas. Além disso, levar gás para Marajó, elevaria muito o custo da energia, em função das dificuldades logísticas de transporte do combustível. A MP, dentre outras medidas, redefine a utilização dos recursos arrecadados por meio da CCC. A alteração desse encargo fará com que os subsídios deixem de cobrir o custo da compra de combustível para cobrir o custo efetivo da produção de energia elétrica.

    * A Agência CanalEnergia viajou a convite da Guascor do Brasil

    Fonte: Topclip Monitoramento & Informação